Todos os líderes precisam de um espelho. Quem é o seu?

Melhorar a liderança não é um caminho que se possa percorrer sozinho. A liderança cresce através das relações com os outros e ao permitir que estes nos devolvam aquilo que vêem em nós.

Confiar apenas no nosso próprio discernimento pode ser enganador. Conhecemos as nossas intenções, as nossas razões e as pressões por detrás das nossas decisões. Os outros vivem as nossas palavras e ações, os nossos silêncios e as respetivas consequências. Pode existir uma distância considerável entre o líder que acreditamos ser e aquele que a nossa equipa conhece no dia a dia.

Essa distância merece a nossa atenção.

Melhorar a nossa liderança não passa apenas por melhorarmos para nós próprios. Passa essencialmente por melhorar a nossa ligação aos outros, sobretudo à nossa equipa. Precisamos de pessoas que nos digam, com honestidade, o que vêem nas nossas ações, o que ouvem na nossa voz e o que lêem no nosso olhar. Pessoas que sintam que podem questionar, desafiar os nossos pressupostos e chamar a atenção para aquilo que nos possa ter escapado.

São os nossos espelhos.

Por vezes, aquilo que nos mostram vai-nos magoar. O primeiro impulso poderá ser tentar justificar as nossas ações e decisões, defender-nos ou desvalorizar a perspetiva que nos apresentam. Resistamos à tentação de responder impulsivamente. Se recebermos a honestidade com uma atitude defensiva, as pessoas tenderão a suavizar o seu feedback ou deixar de o dar por completo. O espelho perde nitidez, precisamente quando mais precisamos dele.

Não temos de concordar com tudo o que ouvimos. O feedback é uma perspetiva, não um veredicto final. Mas essa perspetiva diz-nos algo sobre a forma como a nossa liderança é vivida pelos outros. Antes de decidir se traduz a realidade, procuremos compreender o que levou alguém a ver-nos dessa maneira.

Se ninguém na nossa equipa consegue ser verdadeiramente o nosso espelho, a nossa liderança está em dificuldades. O silêncio não significa necessariamente concordância, e a concordância não significa necessariamente confiança.

Pergunte a si próprio: quando foi a última vez que alguém se sentiu à vontade para me dizer algo que eu não queria ouvir?

Na Rittma, queremos ser um espelho dos líderes.

O nosso papel é dar feedback autêntico: dizer-lhes o que precisam de ouvir, ainda que não seja aquilo que gostariam de ouvir. Isto significa reconhecer os pontos fortes com a mesma honestidade com que questionamos os seus pressupostos, abordar questões difíceis com respeito e ajudá-los a ver com maior clareza os efeitos das suas ações.

Trazemos uma perspetiva externa, escutando atentamente as pessoas e procurando compreender o contexto de cada organização. Mas também questionamos as nossas próprias interpretações. Um espelho útil tem de ser nítido, e um feedback útil tem de assentar na observação e estar aberto à discussão.

O nosso propósito é ajudar os líderes a  transformar uma compreensão mais clara em melhores decisões, relações mais fortes numa ação mais eficaz. E, em última análise, ajudá-los a construir a confiança que permite que o feedback honesto circule dentro das suas próprias equipas. Só assim podem ser melhores líderes.

Todos os líderes precisam de um espelho. Quem é o seu?

Liderança

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Paulo Faria

Paulo Faria